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sexta-feira, 10 de maio de 2013

Nº de alunos / Nº de docentes

Caro Dr. Marques Mendes, por favor actualize as suas estatísticas:

Alunos matriculados no ensino público
Fonte: PORDATA

Comparando 1980 com 2011:


Conclusão 1: o número de alunos no ensino público diminuiu cerca de 4%.

Docentes em exercício nos ensinos pré-escolar, básico e secundário público
Fontes:  PORDATA (anos 1980, 1990 e 2000). GEPE (anos 2010 e 2011)

Comparando 1980 com 2011:


Conclusão 2: o número de docentes aumentou cerca de 47%.

OBS: Já não tenho paciência nem motivação para lhe explicar as razões ou os significados destes dois parâmetros.

sábado, 19 de janeiro de 2013

A propósito de quem prepara melhor os alunos

O jornal Público divulgou esta semana um estudo da Universidade do Porto onde se conclui que a escola pública prepara melhor os alunos para o percurso académico no ensino superior do que a escola privada.
Se a memória não me falha, já há algum tempo atrás surgiu na imprensa um estudo com conclusões semelhantes.
Estes estudos, apesar de apresentarem restrições (nomeadamente as relativas ao espaço geográfico a que os dados pertencem), devem ser tomados em consideração como indicadores relevantes no que respeita à aferição do sistema educativo português. Refiro, em especial, a aferição do contributo deste sistema para a organização e funcionamento da sociedade e o desenvolvimento do País.
Os últimos anos habituaram-nos a ver nos lugares de topo dos rankings as escolas privadas. Assim voltou a ser em 2012 (ver aqui). Em média, um aluno de uma escola privada teve um desempenho superior ao de um aluno de uma escola pública em cerca de 13 pontos (1,3 valores). Tal como o estudo da Universidade do Porto aceita como premissa, é um facto que, em média, as escolas privadas preparam melhor os alunos para os exames.
Estas duas realidades, a dos rankings e a dos estudos, aparentemente díspares, fornecem-nos matéria suficientemente relevante para análise. A meu ver elas levantam três questões fundamentais:
1ª) Porque é que as escolas privadas preparam melhor os alunos para os exames?
2ª) Como se interpreta o facto de os alunos das escolas públicas revelarem melhor desempenho no ensino superior?
3ª) Que consequências tem isto para o País?
Relativamente à 1ª questão, alguns factores estão na base da melhor preparação dos alunos das escolas privadas para os exames, mas a meu ver, dois são fundamentais: o perfil dos alunos e o tempo que dedicam ao estudo das matérias.
O perfil tem a ver com questões de classe social e económica, sendo este último factor cada vez mais importante neste País que tudo faz para aumentar a clivagem económica da sociedade, de nível de escolaridade dos progenitores, de investimento na educação dos filhos e de expectativas futuras dos alunos e seus encarregados de educação.
O tempo de estudo das matérias está relacionado com a falta de autonomia que as escolas públicas têm na gestão do currículo e, vamos admiti-lo também, com a falta de visão de alguns dos seus directores. Na verdade, o "milagre" das boas notas em exame está em boa parte relacionado com uma realidade muito simples: "obrigar" os alunos a ter mais tempo para tratar as matérias. Os colégios foram os únicos a ouvir os professores quando estes se queixavam "de os programas serem demasiado longos". Enquanto o Ministério fazia orelhas moucas a esta realidade, alguns colégios resolveram dar às disciplinas de exame mais carga horária semanal. Assim, os seus alunos têm muito mais tempo que os pares do ensino público para consolidarem cada capítulo dos programas. Ao fim dos dois ou três anos de vigência das disciplinas, por altura da data do exame, esse tempo de consolidação é, acreditem, o que faz a diferença. E a verdade é que essa consolidação é feita em sala de aula, isto é, no colégio. É claro que não estou a esquecer os apoios que os alunos dos colégios têm, nem sequer o trabalho a que regularmente são obrigados. Mas a diferença está no tempo que, em situação de aula, eles têm a mais para consolidar as matérias. Às vezes até me apetece dizer que foram os professores que estudaram por (com) eles!
A resposta à segunda questão também não é difícil e o entrevistado do Público, José Sarsfiel Cabral,  refere-a. Os alunos das escolas privadas andaram sempre mais amparados que os das públicas.  Como consequência, esses alunos das escolas privadas não desenvolveram suficientemente determinadas competências (ai que não posso falar em competências!) gerais que o sistema educativo tem por obrigação incutir nos jovens que terminam o ensino secundário. Tais competências têm a ver, por exemplo, com autonomia, iniciativa, responsabilidade, adaptabilidade, organização e planificação. O ensino superior público, pelo menos aquele ministrados nas principais universidades deste país, exige que estas competências estejam bem desenvolvidas. Ora o aluno do ensino público, na maior parte dos casos, teve de as usar já no ensino secundário para ter sucesso e aceder ao ensino superior. Um verdadeiro ensino superior pressupõe que o aluno caminhe com os seus próprios pés e sapatos. E quanto mais depressa o aluno o fizer, mais rapidamente terá sucesso.
A terceira questão é a mais importante, principalmente numa época em que se advoga a extinção da escola pública. A análise feita às duas questões anteriores, mesmo considerando a relatividade da opinião de quem a realizou, apresenta um facto que é claro. O sistema educativo está a menosprezar competências gerais fundamentais na formação dos jovens portugueses. Ao fazê-lo está a colocá-los em desigualdade com os seus pares dos países mais desenvolvidos e está também a condicionar a capacidade competitiva futura deste País num mundo cada vez mais globalizado.

Duas notas finais.
A primeira, para dizer que nada tenho contra as escolas privadas, nem estas linhas que escrevi são manifestação de tal sentido de opinião. Gostava até que as escolas públicas conseguissem dar aos seus alunos mais tempo para trabalharem os longos programas a que estão sujeitos. Mas incomoda-me o que se está a fazer às escolas públicas. Faz-me lembrar aquelas habilidades de Wall Street, em que se estraga propositadamente algo para depois comprar esse algo a baixo preço e ter um negócio da China.
A segunda, para dizer que tudo o que escrevi deixa de fazer sentido num país (imaginário!) em que a promoção e a valorização das pessoas se faz pelas amizades e compadrios ou pela pertença a oligarquias.

sábado, 14 de julho de 2012

Nova fórmula do crédito horário das escolas (parcela EFI - IndSuc1)

Com a entrada em vigor do Despacho normativo n.º 13-A/2012 de 5 de Junho, o modo de apurar o número de horas lectivas que as escolas públicas podem gerir foi alterado.
Segue-se um pequeno exercício em que se aborda uma parte de uma das parcelas da nova fórmula de cálculo desse crédito horário. Tal parcela é a EFI (indicador da eficácia educativa) e tal parte é o IndSuc1 (indicador de sucesso 1), relativo aos resultados obtidos pelas escolas na avaliação sumativa externa (Exames Nacionais).
Os resultados destes indicadores serão apurados pelo MISI (Gabinete Coordenador do Sistema de Informação do Ministério da Educação) durante o mês de Agosto. Conforme consta do Anexo III ao referido despacho, o valor do EFI é o máximo de três indicadores de sucesso:
EFI = MÁX(IndSuc1, IndSuc2, IndSuc3).
Aborda-se aqui apenas o IndSuc1 que se apura de acordo com a Tabela 1 do referido anexo:
Pretende-se neste exercício descobrir, com base nos resultados dos Exames Nacionais de 2011, quais teriam sido as escolas a conseguir horas no IndSuc1 (observa-se que o valor de EFI não depende só deste indicador, pelo que, as escolas podem conseguir horas  na parcela EFI através dos outros dois indicadores - IndSuc2 e IndSuc3 - não abordados neste exercício).


Alguns pontos prévios:

  • A minha interpretação do despacho conduz a uma conclusão sobre o IndSuc1: este indicador só pode ser aplicado a escolas ou agrupamentos que tenham exames nacionais tanto no básico, como no secundário. Ou seja, uma escola ou agrupamento que não tenha exames num destes ciclos fica impossibilitada de conseguir crédito no EFI através do IndSuc1.
  • Os resultados que apresento têm por base as bases de dados ENES e ENEB de 2011 disponibilizadas pelo JNE, em que os resultados são apresentados não por agrupamento, mas por escola. Assim, esta análise pode deixar de fora agrupamentos que tenham exames nacionais do básico e do secundário, mas que não os tenham simultaneamente numa mesma escola do agrupamento.
  • Consideram-se neste exercício os resultados dos alunos internos das escolas públicas, de ambas as fases e de ambas as chamadas dos exames nacionais de 2011.
O que se apurou:

  • A base de dados ENEB2011 considera 1080 escolas públicas com exames do Ensino Básico. Em 70 (6,5%) dessas escolas a CEbas >= 3,00.
  • A base de dados ENES2011 considera 496 escolas públicas  com exames do Ensino Secundário. Em 243 (49,0%) dessas escolas a CEsec >= 100.
  • Num total de 1194 escolas públicas com exames no básico ou no secundário, apenas 18 (1,5%) verificam os critérios mínimos do IndSuc1, isto é, apresentam  CEbas >= 3,00 e  CEsec >= 100. Estas escolas garantem um mínimo de 10 horas de crédito horário neste indicador. São elas:
Escola Concelho Media CEsec Media CEbas
Escola Secundária Infanta D. Maria Coimbra 133,8474 3,4672
Escola Básica e Secundária Clara de Resende Porto 123,6748 3,1505
Escola Secundária Aurélia de Sousa Porto 120,2019 3,0769
Escola Secundária Fernão de Magalhães Chaves 117,9141 3,3956
Escola Secundária José Estevão Aveiro 117,8584 3,0833
Escola Secundária João Silva Correia S. João da Madeira 116,2041 3,1544
Escola Secundária da Senhora da Hora Matosinhos 113,5231 3,0280
Escola Secundária Alves Martins Viseu 113,2531 3,1889
Escola Secundária Dr. Mário Sacramento Aveiro 112,9732 3,4103
Escola Secundária Dr. Joaquim de Carvalho Figueira da Foz 112,2634 3,1127
Escola Secundária da Maia Maia 111,5586 3,1000
Conservatório de Música do Porto Porto 111,0000 3,3750
Escola Secundária D. Sancho I Vila Nova de Famalicão 108,6615 3,0377
Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima Aveiro 106,0949 3,0707
Escola Secundária do Fundão Fundão 105,2007 3,0806
Escola Secundária Alcaides de Faria Barcelos 103,9640 3,0080
Escola Básica e Secundária de Macedo de Cavaleiros Macedo de Cavaleiros 103,1423 3,0759
Escola Secundária Dr. António Granjo Chaves 101,8967 3,1689

  • Destas, apenas duas conseguem o número máximo de crédito horário disponível para este indicador (30 horas):
Escola Concelho Media CEsec Media CEbas
Escola Secundária Infanta D. Maria Coimbra 133,8474 3,4672
Escola Secundária Fernão de Magalhães Chaves 117,9141 3,3956

  • Sete delas conseguem 20 horas de crédito horário neste indicador:
Escola Concelho Media CEsec Media CEbas

Escola Básica e Secundária Clara de Resende Porto 123,6748 3,1505
Escola Secundária João Silva Correia S. João da Madeira 116,2041 3,1544
Escola Secundária Alves Martins Viseu 113,2531 3,1889
Escola Secundária Dr. Mário Sacramento Aveiro 112,9732 3,4103
Escola Secundária Dr. Joaquim de Carvalho Figueira da Foz 112,2634 3,1127
Escola Secundária da Maia Maia 111,5586 3,1000
Conservatório de Música do Porto Porto 111,0000 3,3750

  • As restantes nove conseguem 10 horas.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

10 ideias para salvar a Escola Pública

Em início de ciclo governativo, um pequeno contributo que é, ao mesmo tempo, a manifestação da esperança que tenho em que a Escola Pública possa começar a ser erguida do fundo para onde foi atirada.

1 – Revalorizar a família. Assumir que ela é o alicerce base da sociedade, primeiro e principal espaço educativo. Dar-lhe, portanto, condições de sustentabilidade e longevidade.
2 – Fazer da Escola Pública um meio para esbater ou eliminar desigualdades e não uma forma de, como aconteceu nesta última década, as agravar.
3 – (Esta não é minha, é do Paulo Rangel) Assumir uma trivialidade: a Escola Pública é para os mais desfavorecidos a única oportunidade de se tornarem mais favorecidos. Mas se ela não cumpre o seu papel, recorrendo a subterfúgios de sucesso fácil e imediato, lançará na sociedade jovens que rapidamente descobrirão o quão longe estão de poder aspirar aos mesmos objectivos daqueles que fizeram o seu percurso de escolaridade no colégio privado ou no colo dos explicadores ou ainda sob a protecção de uma família que soube estar sempre com eles. E aí perceberão que estão tão ou mais desfavorecidos do que antes. Entenderão que a única oportunidade que tiveram, a Escola Pública, também ela, não quis saber deles!
4 – Redefinir o papel da Escola Pública na sociedade. Orientando-a para aquilo que é a sua vocação, a transmissão de conhecimento. Libertando-a, progressivamente, do amontoado de coisas que para ela a sociedade empurrou, quer por ausência de outras estruturas que o façam, quer por demissão daqueles que tinham o dever de o fazer. 
5 – Resolver o dilema: como se concilia verdadeira aprendizagem com sucesso educativo? (leia-se: como se consegue uma avaliação rigorosa de conhecimentos sem aumentar as taxas de abandono escolar ou de retenção?) .
6 – Repor regras (claras): para a assiduidade, para a disciplina, para a autoridade e para a avaliação.
7- Regular a avaliação externa. Não é admissível que o grau de exigência de um exame varie ao sabor da propaganda política.
8 – Dar (verdadeira) autonomia às Escolas Públicas. E depois pedir-lhes contas.
9 – Redefinir funções: aos alunos o que é dos alunos; aos pais o que é dos pais; aos professores o que é dos professores; aos funcionários o que é dos funcionários; aos directores o que é dos directores; às direcções regionais … (não encontro muito para elas!); ao Ministério o que é do Ministério. Acabe-se com esta misturada onde todos dão palpite, poucos sabem do que estão a falar e aos professores nunca é dada razão.
10 – Parar com o frenesim legislativo na educação.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

701 e 20

São os números de hoje.
Das escolas que desaparecem e do número máximo de alunos que tinham.
Aplique-se a mesma receita aos institutos públicos, empresas municipais e afins.
Encerrem-se 701 daqueles que empregam (no máximo) 20 afilhados, “boys” e coisa parecida.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Ideias para recuperar a Escola Pública – Regras.

Nos dias que correm, a Escola Pública transmite uma ideia terrível às crianças e jovens que a frequentam. A ilusão de que há sempre forma de resolver com sucesso e sem penalização um incumprimento.
Se o aluno ultrapassa o limite de faltas permitido, então volta a pôr-se tudo a zero para começar de novo.
Se tem n negativas no final do ano, então transita para o próximo, na certeza de que o aluno irá revelar as competências (talvez inatas!) que se sabe que tem mas que (ainda) não mostrou.
Se o rapaz é um delinquente, então haverá um CEF que prolongará a agonia de ter que lidar com ele, mas que acabará por lhe fornecer um certificado.
Tudo tem solução em favor da dita inclusão do aluno na Escola com base em critérios administrativos que regulam, comprimem e subjugam a pedagogia e o conhecimento.

Ora, a vida real não é assim. A vida dá poucas segundas oportunidades!
A sociedade exige maturidade e regras para funcionar.

Daí que a Escola de hoje esteja a preparar mal os jovens, esses a quem se exigirá um dia que sejam adultos. Só o fará correctamente quando voltar a ter regras (claras e justas) na assiduidade, na autoridade e na avaliação. E essas regras não são contra o aluno! Não são, como alguns argumentam, uma forma de promover abandono e exclusão. Tais regras são o primeiro passo para que os jovens se consciencializem do seu papel futuro como cidadãos, numa sociedade que só consegue ser livre e democrática porque está alicerçada em regras claras que todos devem respeitar em seu próprio benefício e do próximo.
Exige-se, pois, que o frenesim legislativo que suporta o actual sucesso estatístico seja substituído pela definição simples, clara e justa de regras e pela imposição do seu cumprimento nos aspectos assinalados (assiduidade, autoridade e avaliação).

Por fim, a constatação de uma evidência.

É claro que esta Escola com estas regras está perfeitamente contextualizada no modelo que a sociedade actual preconiza.
Basta ver, por exemplo, como a Justiça (não) funciona ou olhar a postura, a qualidade e os valores de quem dirige o país ou, até, constatar a constante divergência, em termos económicos e consequente qualidade de vida, em relação aos nossos parceiros europeus.

Mas esta é a sociedade que se pretende que melhore.
Quando? No futuro (embora ontem já tivesse sido tarde). E o futuro são os jovens que frequentam as nossas escolas.
Se as Escolas não mudarem o modo como preparam esses jovens, como poderemos esperar que a sociedade modifique?

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Ideias para recuperar a Escola Pública – Família.

Trata-se, fundamentalmente, de um pré-requisito. Enuncia-se de uma forma simples: a sociedade não pode empurrar para a escola a resolução dos problemas que não consegue resolver, nem deve esperar que esta esteja habilitada a educar sobre tudo e mais alguma coisa.
Quem dirige o país deve ter a noção e fazer perceber aos cidadãos que a escola não é a primeira responsável pela educação das crianças e jovens, nem sequer é o responsável principal. Este papel é dos pais. Portanto, o estado tem que cumprir duas obrigações:
- Tentar proporcionar aos pais as melhores condições para educarem os seus filhos.
- Fazer com que os pais não se esqueçam dessa tarefa.
Ora, o problema começa aqui. Quem nos tem governado ultimamente não tem tido estas prioridades em atenção.
Por um lado tem havido, conscientemente, fortes investidas no sentido do desprestígio e do desaparecimento da família tradicional em Portugal. Em simultâneo até, atirou-se para a escola a responsabilidade de educar sobre tudo. Veja-se a fobia actual com a gripe A!
Por outro, a precariedade do trabalho e a crise económica potenciaram o papel de armazém da escola impedindo que os pais tenham tempo (ou queiram ter!) para estar com os filhos.
De um modo muito claro: pais e filhos devem passar mais tempo juntos! É aqui que começa a educação, no “estar com”. E o “estar com” faz-se, fundamentalmente, em família (tradicional ou não). Por isso, quem nos vai governar tem que perceber que o alicerce da estrutura social passa por aqui. Há que revalorizar a família como núcleo base dessa sociedade. Por isso, deve inverter os sinais que tem dado. Em vez de perder tempo com as questões que se prendem com os modelos ou formas que a família pode assumir, deve investir significativamente nas formas que tem ao seu dispor não só para dar sustentabilidade às famílias mas também para revalorizar o seu papel como núcleo fundamental da sociedade.
Em paralelo, deve também o estado ser exigente com os seus cidadãos, algo que não tem acontecido nas últimas décadas. Em vez de incentivar à quebra do compromisso, deve exigir dos cidadãos, não só a maturidade no assumir do mesmo como pedir a sua longevidade. Isto é fundamental para uma sociedade estruturada. Reduzindo a precariedade da família potencia-se o seu papel educador, deixando para a escola os aspectos para os quais está mais predestinada.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Ideias para recuperar a Escola Pública – Opção 3: As alternativas anteriores, em simultâneo.

Uma Escola Pública que concilie certificação com efectiva qualidade de aprendizagem é aquilo que ainda ninguém conseguiu fazer em Portugal. Este é o desafio que quem tem dirigido a educação neste país ou tem preferido ignorar ou não tem tido engenho para satisfazer.
Como se consegue que uma escola de massas promova qualidade de aprendizagens?
Como garantir que a certificação seja, na realidade, das competências de que o país necessita que os jovens adquiram?
Como resolve a Escola Pública o binómio conhecimento científico versos exigências sociais?
Estas perguntas enunciam desafios difíceis, que não se atingem em curtos espaços de tempo. São necessários passos pequenos, firmes e sequenciados, no sentido de se irem construindo respostas, a médio e a longo prazo, que produzam, não os títulos de jornais que os políticos não dispensam, mas sim os resultados que o país verdadeiramente necessita.
Seguir-se-ão pequenas e humildes achegas para que a desejada conciliação se vislumbre.

sábado, 29 de agosto de 2009

Ideias para recuperar a Escola Pública – Opção 2: Aprendizagem real e conhecimento.

A opção pela aprendizagem real e conhecimento como função prioritária da Escola Pública tem associado um problema traumatizante para os ideólogos vigentes que definem as políticas educativas deste país. Esta escola produz insucesso e abandono!
Foi isto que aconteceu durante décadas em Portugal e que justificou, a partir do final dos anos oitenta, a opção pela certificação. Esta escola do conhecimento é exigente e potencia, rapidamente, a selecção. Por este motivo não pode ser a escola de massas nem satisfazer outros propósitos que não o da aprendizagem real do conhecimento (científico). É também por isso que muitos a apelidam de não democrática.
O tempo, porém, mostrou que a Escola Pública que temos neste momento em Portugal é tudo menos democrática. Bastaram pouco mais de vinte anos para se perceber que ela promove desigualdade social. Quem tem dinheiro manda os filhos para os colégios, quem não tem aguenta o ambiente que a Escola Pública lhe oferece!
Esta escola da certificação também selecciona. E fá-lo de maneira mais injusta pois a escolha não tem por base as capacidades dos jovens, mas sim o seu nível social ou a quantidade de dígitos das contas bancárias dos seus progenitores. Trata-se, a médio prazo, do alargar do fosso (que já hoje é bastante grande) entre os muitos que têm pouco e os poucos que têm imenso. Trata-se do desaparecimento da classe média. A longo prazo, os interesses desses que têm imenso irão sobrepor-se a tudo e a todos, com a agravante de os outros, para sobreviverem, estarem dependentes das migalhas ou serviços que esses poucos lhes queiram oferecer.
Devemos então voltar à escola do conhecimento? E voltamos a ignorar as altas taxas de abandono escolar e de insucesso?

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Ideias para recuperar a Escola Pública – Opção 1: Certificação de escolaridade.

Sócrates fez, claramente, a sua opção pela certificação. Daí o sucesso estatístico.
Embora o Governo não o admita, a consequência foi que o conhecimento e a qualidade das aprendizagens foram muitas vezes atirados para os arquivos mortos das escolas.
Os professores tiveram (mais uma vez) que se adaptar a uma nova situação em que, pelo meio dos malabarismos de entretenimento, tentavam ensinar alguma coisa.
Os alunos perceberam rapidamente que a escola era um lugar onde tinham de estar a qualquer custo, mas que, em troca, não lhes exigia grandes esforços para obter sucesso.
Os pais encontraram uma forma de sacudir as suas responsabilidades. Os deveres de estar, de vigiar, enfim, de educar, foram passados para a escola. E, no final, se as coisas não corressem bem, estariam sempre em posição privilegiada para atirar à escola todas as pedras e pedregulhos que sublimariam os seus recalcamentos provenientes dos lapsos e ausências no assumir dos seus deveres, não de progenitores, mas de pais.
Paralelamente, o ensino privado registou forte crescimento nestes anos de Governo PS. Rapidamente, foi perceptível para muitos Encarregados de Educação que tinha chegado o momento de investir financeiramente na instrução dos filhos. Tal aconteceu, basicamente, não porque a qualidade dos profissionais do ensino privado fosse melhor do que a dos seus pares do ensino público, mas porque os pressupostos passaram a ser totalmente diferentes. Nas escolas do ensino privado que comandam os rankings pretende-se, fundamentalmente, ensinar. Quem lá é aluno está para aprender. Em grande parte das escolas públicas estas prioridades foram ultrapassadas por outras no sentido de garantir, por todos os meios, os índices de escolaridade e de abandono definidos.
Esta opção desenfreada da Escola Pública pela certificação de escolaridade não começou com o actual Governo. Vem já de há alguns anos atrás, sejamos justos. Começou, talvez, no tempo em que a Dra. Ana Benavente (XIII Governo Constitucional – 1995-1999) era Secretária de Estado. Agora, o que é também verdade é que o Governo Sócrates assumiu inteiramente esta bandeira e foi o que mais fez para que os resultados aparecessem. Ao mesmo tempo que impunha sobre os professores um clima de pressão psicológica para o sucesso, retocou o que já estava feito em termos de avaliação interna, acabou com as reprovações por faltas e baixou decisivamente o nível de exigência da avaliação externa.
Não contente com isso, este Governo assumiu até a necessidade de certificar a escolaridade daqueles que não a tinham conseguido, anteriormente, na escola. As “Novas Oportunidades” vieram demonstrar que a certificação de escolaridade é possível mesmo que não esteja associada a conhecimento científico.
Em conclusão, à pergunta “Que pretende o país da Escola Pública?” a última década de governação, com particular ênfase no Governo Sócrates, deu como resposta “pretende-se certificação de escolaridade”.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Ideias para recuperar a Escola Pública – Os Princípios.

Talvez seja uma característica nossa, dos portugueses. Temos muita dificuldade em perder tempo com o principal, os fundamentos. É por isso que começo por eles, pelos princípios que entendo que devem alicerçar a Escola Pública.
Proponho, pois, que o próximo Governo defina antes de tudo o resto, com coragem e clareza, a alternativa que escolhe para resposta à seguinte questão:
Que pretende o País da Escola Pública?
Sugiro três alternativas (a desenvolver em próximos posts):
Opção 1: Certificação de escolaridade.
Opção 2: Aprendizagem real e conhecimento.
Opção 3: Ambas as alternativas anteriores, em simultâneo.

domingo, 12 de julho de 2009

Ideias para recuperar a Escola Pública – Introdução

Começo hoje a publicação de alguns “posts” em que passo a escrito reflexões individuais que, acredito, podem ajudar a devolver à Escola Pública a dignidade que merece e se exige.

Algumas destas ideias traduzem uma linha de pensamento que fui expressando em publicações que realizei no CartasAoPortador (blog que parece estar a fazer uma espécie de período sabático). Num dos “posts” sobre este tema que lá coloquei – “Machadada Final?” – anunciei o “bater no fundo” da Escola Pública. Estávamos no pleno esplendor do “socratismo”, em que o autismo e a arrogância se sobrepunham a tudo e a todos e o sucesso a qualquer custo ditava a sua lei!

Felizmente, o tempo destes protagonistas está a acabar. Infelizmente, os efeitos das suas acções fazem-se, dolorosamente, sentir no presente e prometem levar muito tempo a minimizar-se.

É por isto que este é o tempo certo para reflectir sobre a Escola Pública. Faço-o na (verde) esperança de que quem aí venha se preocupe menos com politiquice e mais com a educação das crianças e jovens portugueses!