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quarta-feira, 24 de abril de 2013

Novo programa de Matemática para o Ensino Básico

Acabou de ser "colocado à discussão pública" o novo programa de Matemática para o Ensino Básico (AQUI).
Li, "na diagonal", o documento, pelo que é prematuro comentar o conteúdo. Apenas deixo algumas notas sobre o processo.

  1. Tal como escrevi no início de Setembro passado, ficou provado que a conciliação entre o programa (de 2007), em vigor, e as metas elaboradas (em 2012) não era possível. Foi um acto precipitado e teimoso que produziu, em concreto, apenas instabilidade e confusão.
  2. Concordando-se ou não com as metas (estas ou as outras) ou com os programas (com o novo ou com o antigo), uma coisa parece certa: não existem, também a este nível, os acordos de regime tão necessários para que os ciclos de vida das políticas possam produzir efeitos ou até ser convenientemente avaliados. E, no caso da Educação, as coisas demoram tempo e precisam de consensos alargados. Só assim se conseguirá que os agentes educativos, professores em especial, as assumam verdadeiramente como suas e não como algo que, à semelhança de tantas outras situações, simplesmente se cumpre. Ora, é patente a guerra de paradigmas entre os protagonistas deste novo programa e os do antigo. O programa anterior durou 6 anos. Alguém se atreve a dizer quanto durará este? Valerá a pena o investimento?
  3. Já cá andamos há algum tempo para perceber que esta coisa de colocar à discussão pública é para cumprir calendário. Faz-se para se dizer que se fez. Em minha opinião mais valia assumir que era assim e pronto! Na verdade, e embora a leitura não tenha sido exaustiva, fica claro que o documento está claramente definido.
  4. Esta "cultura de rigor e de excelência desde o Ensino Básico", que o Ministro tanto apregoa e que aparece no documento não exigirá também uma mudança na legislação que regula a avaliação sumativa do Ensino Básico, nomeadamente, por exemplo, no que se refere ao modo (subjectivo) como os alunos transitam de ano nos anos não terminais de ciclo? E como se concilia o grau de exigência deste programa de Matemática com o cumprimento da escolaridade obrigatória, agora de 18 anos?
  5. Se bem entendi o Ponto 5 do despacho que revogou o programa de 2007 (Despacho n.º 5165-A/2013) - "(...) o Programa de Matemática para o Ensino Básico de 2007 (...) fica revogado a partir do ano lectivo de 2013-2014, passando a constituir-se como documento de referência auxiliar, de acordo com normas de transição a serem concretizadas" - haverá um plano de transição do antigo para o novo programa. Espero que esse plano não queira fazer tudo de uma vez. Na minha opinião a dita transição deve iniciar-se no próximo ano lectivo para o 1º ano e estender-se, juntamente com as respectivas metas curriculares, sucessivamente aos outros anos de escolaridade nos anos subsequentes. Este novo programa alicerça-se em pressupostos diferentes do anterior, quer nos lembremos do paradigma educacional que o justifica, quer analisemos, por exemplo, coisas mais práticas como o encadeamento dos temas, isto é, a sua verticalidade. Não tem sentido "enfiá-lo" a meio (no início do 2º ou do 3º ciclos, por exemplo). Se tal se fizer, cai-se exactamente no mesmo erro que aconteceu quando a vontade de impor as metas se sobrepôs ao bom-senso e à realidade. E também é preciso minorar os efeitos colaterais. Estou a lembrar-me, por exemplo, dos Encarregados de Educação que teriam assim mais um "tempinho" para conseguirem que os manuais do filho mais velho servissem para o mais novo.
  6. Sim, vêm aí muitos livros novos!

sábado, 13 de abril de 2013

Comentário ao Teste Intermédio de Matemática do 9º Ano (12/04/2013)

Começo por referir o meu agrado com o facto de se restringir a utilização da calculadora a uma parte do teste, isto é, de a colocar no seu devido lugar: instrumento de auxílio à Matemática e não um fim em si mesmo.

Comparativamente ao de Maio do ano passado, o teste apresenta melhorias assinaláveis, quer em termos da tipologia dos itens, quer em termos de coerência com o programa. Ou seja, há uma gestão mais aceitável na conexão que se faz entre os temas do programa que se pretendem avaliar num determinado item, não se colocam itens "tipo olimpíadas" e a coerência com o programa (agora único) em vigor existe. Um reparo apenas no que respeita às questões 8.1 e 11.1, em que se faz apelo a capacidades semelhantes.

O que acabei de escrever não invalida que continue a considerar que o nível de dificuldade é alto (em que este alto tem como termo de comparação a história recente dos testes intermédios e a obrigatoriedade administrativa do sucesso da escolaridade obrigatória). São em número considerável os itens em que os conceitos e procedimentos matemáticos não são solicitados de forma directa (4.1; 6.1; 8.1; 11.1 e 12).

Em resumo:
Mais equilibrado e coerente. Com um nível de dificuldade que, embora elevado, é mais aceitável.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Recordando o Teste Intermédio de Maio 2012

Costuma ser à 6ª-feira que o GAVE publica na sua página aquilo que vai produzindo. Ontem publicou o "Relatório dos Testes Intermédios 2012".
Confesso que estava curioso para ler a apreciação feita, em particular, aos resultados do Teste Intermédio (TI) de Matemática do 9º Ano de Maio passado. Recordo que os posts (em particular o "Teste Intermédio de Matemática, 9º Ano: do 8 ao 80") que publiquei neste blog sobre este teste tiveram bastante audiência e comentários, pelo que, tem sentido abordar novamente o assunto.

Recordo também que os resultados nacionais eram conhecidos desde Junho de 2012, embora o acesso a essa informação dê algum trabalho. Na verdade, não percebo a razão de a informação relativa aos resultados de cada TI continuar a ser publicada na área de acesso restrito das escolas. Será informação confidencial? Qual é a diferença em relação ao relatório ontem publicado?

Bem, mas o que é confidencial (supostamente), rapidamente deixa de o ser com uma breve pesquisa num motor de busca da Internet. Ora a Informação nº 20 do GAVE apresenta a síntese estatística dos resultados desse teste.
Conforme previsto, uma média nacional baixíssima de 31%. Nas 17 questões que o teste apresentava, só em 3 a razão entre a classificação média da questão e a sua cotação total foi superior a 50%. Em 13 das questões, a percentagem de respostas cotadas com zero pontos foi superior a 52%.
Muito pior que os resultados do TI de Matemática do 8º Ano (Informação nº 8) que já tinham sido bastante maus (média nacional de 39%).

Apesar de estar curioso em relação ao relatório, não esperava encontrar nele grande descrição ou análise em termos da realidade que acabei de recordar ou do que me incomodou em Maio passado.
E assim aconteceu, o relatório ontem publicado pelo GAVE analisa o TI de 9º ano segundo um modelo comum à análise que faz a todos os outros Testes Intermédios. Destacam-se e analisam-se os 3 itens com melhor e pior desempenho e apresentam-se "propostas de intervenção didáctica" para a disciplina no 3º Ciclo. Tais propostas colocam o ênfase do insucesso (ou sucesso) dos resultados nos alunos e professores. Destacam-se as dificuldades evidenciadas pelos alunos, no caso da Matemática, na leitura e na interpretação de um texto/gráfico, nas conexões entre vários conteúdos, no raciocínio matemático e na capacidade de abstracção. Propõem-se "estratégias" aos professores: "desenvolvimento de trabalho conducente à apropriação de rotinas, assim como a resolução de problemas que exijam a mobilização de vários conceitos e propriedades e de problemas que permitam desenvolver o raciocínio matemático e a capacidade de abstracção". Acrescenta-se ainda que "a resolução dos testes intermédios/exames nacionais já realizados e o cumprimento das propostas apresentadas pelos manuais adoptados nas escolas continuarão a ser uma boa base de trabalho para a apropriação de rotinas e para o desenvolvimento das capacidades exigidas a um aluno do ensino básico."
Se tiverem a paciência de ler o Relatório de 2011, verificarão que a conversa é semelhante. Diagnosticam-se as mesmas dificuldades e prescrevem-se as mesmas estratégias. O que não é de estranhar, diga-se, pois tais dificuldades são reais e as estratégias são aceitáveis.
O problema é que os resultados foram muito piores (em Maio de 2011 a média do TI de 9º Ano de Matemática foi de 44%). Uma diferença de 13 pontos percentuais em relação a uma média que já era negativa não merece uma análise mais detalhada? E aceita-se que o diagnóstico seja exactamente o mesmo? Já nem me pronuncio sobre as estratégias.
Será que o "valor regulador destes instrumentos de avaliação", que o GAVE apregoa como inerente ao quadro conceptual e às finalidades dos Testes Intermédios na página 8 do dito relatório, não foi colocado em causa?
Para mim esta continua a ser a questão que devia ser abordada. Apesar de serem os aspectos mais importantes  do processo de aprendizagem, não são as dificuldades dos alunos nem as estratégias dos professores de Matemática que, neste caso particular deviam preocupar o GAVE. Tais dificuldades são bem conhecidas dos professores e as estratégias são aplicadas todos os dias. O que devia ser analisado é a forma como se conduz e faz a avaliação sumativa externa. A sua coerência face à realidade dos alunos, das escolas e do País que temos e somos. A sua congruência com aquilo que está nos programas, com o que se ensinou, com o que se exigiu naquele ano lectivo e nos anteriores. A sua consonância com esta escolaridade obrigatória imposta por decreto.
O que devia ter sido reconhecido é que a avaliação sumativa não pode continuar a ser arma de arremesso ao serviço da propaganda política.
Sim, quero rigor e exigência. Mas sei que Roma e Pavia não se fizeram num só dia. A Educação exige tempo, paciência e visão a longo prazo. Não se pode chegar e mudar tudo de uma vez. Não se pode ir do 8 ao 80 em tão curto espaço de tempo!

Nota:
O texto anterior tem 819 palavras. Convido o leitor a cronometrar a sua leitura. Em seguida, consulte (AQUI) as metas curriculares e veja se escapa ao chumbo em Português!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Ranking de escolas 2012: Ensino Básico - médias de exame em percentagem

Em resposta a uma solicitação de um leitor deste blog, aqui fica um ficheiro com as médias dos exames nacionais de 2012 no Ensino básico - 2º e 3º Ciclos - em percentagem.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Mais rápido que o Pepe Rápido

No próprio dia em que o site do Governo anunciava que "foi enviado para publicação" o diploma foi (ou já tinha sido) publicado em Diário da República (AQUI).

Ainda dizem que a administração pública não é rápida e eficaz! Até o assessor do Ministro, responsável por colocar as coisas na página da Internet, deve ter ficado surpreendido.

O fim dos planos de recuperação

Já é costume acontecer isto. Quando o trabalho aperta e o tempo parece não chegar é que o Ministério resolve despejar em catadupa uma série de novidades. Primeiro a história da base de dados do DGAE, depois a avaliação do desempenho e agora o novo despacho que regula a avaliação do ensino básico. Tudo num espaço de 3, 4 dias. Parece que alguém acordou da uma hibernação em que tem estado desde finais de Agosto.

Como disse, o tempo é pouco para escrever. Mas o aparecimento deste novo despacho merece algumas linhas.

Começo pelo modo e pelo tempo.
Mais uma vez, o c_rn_ é o último a saber. Primeiro aparece a notícia na comunicação social. Só mais tarde surge a novidade nos sites institucionais. Os interessados, esses, acabarão por descobrir por eles próprios.
E a novidade é que vai para publicação em Diário da República. Ou seja, estamos a cerca de 10 dias dos Conselhos de Turma de avaliação, muitos Conselhos Pedagógicos já aprovaram as normas que regulam a avaliação e eis que vai chegar um novo despacho, que ainda não o é, mas que vai alterar tudo e é para aplicar!
Infelizmente, é um déjà vu. Infelizmente, mostra a consideração que a educação merece por parte de quem tem obrigação de a conduzir.

Continuo pelo conteúdo.
O tempo só permitiu uma leitura na diagonal. Mas há já algo a referir.
Mesmo sendo eu contra este frenesim de revogar legislação ainda criança, saúda-se o fim do Despacho Normativo 50/2005. Ele era um dos expoentes máximos daquilo que é a visão descontextuada da educação  e da escola, talvez daqueles que nunca lá trabalharam, e que rapidamente se tornou num preencher de papelada sem relevância, conteúdo ou propósito. Preenchia-se porque tinha que ser. Faziam-se umas estatísticas no final e rotulavam-se de sucesso ou insucesso. O aluno, esse, muitas vezes só sabia que "estava sob um plano de recuperação" porque, também ele, lá tinha de preencher umas cruzes. O que acabei de escrever só foi possível porque o dito despacho vai ser revogado. Talvez assim já não esteja a cometer nenhum sacrilégio. É que eu sei que ainda há muita gente que acredita nestas coisas. E sei também que, não tarda nada, outros papeis do género serão criados para substituir estes. Veja-se o caso do falecido PCT que já tem substituto. Mesmo ninguém sabendo o que é o Plano de Turma (PT).
Não deixa de ser interessante também analisar as justificações que se apresentam para acabar com os planos de recuperação. A melhor é que as escolas "perverteram" os planos ao obrigarem os alunos e o Encarregados de Educação a assumirem nesses papéis as suas responsabilidades.
Pois, este é que é o problema principal no insucesso escolar. O sucesso escolar pressupõe trabalho, estudo, persistência, respeito de normas, adopção de condutas e atitudes, acompanhamento e responsabilidade. Estas características não podem ser substituídas por papéis, por muito completos que eles sejam ou por muitos quadros de cruzes que eles tenham ou até (aqui vai outro sacrilégio) por muitas aulas de apoio. Podem crer que se aquelas características se verificarem, sobrarão então poucos casos, esses sim que necessitam de intervenção particular e, porventura, especializada.

Finalizo, expressando o meu desalento por não se ter aproveitado para mudar dois aspectos que considero profundamente errados no modo como se faz a avaliação no ensino básico.

O primeiro é aquele que se refere à transição para o ano seguinte no caso de anos não terminais de ciclo (7º para 8º ou 8º para 9º, por exemplo). A transição do aluno continua a ser fundamentada em critérios pouco claros, para não dizer subjectivos. O aluno transita sempre que "demonstra ter adquirido os  conhecimentos e desenvolvido as capacidades essenciais para transitar para o ano de escolaridade seguinte". O que quer isto dizer? Como é que isto se concretiza? Pode ter 2 negativas? 3? 4? Não há resposta. Depende do julgamento do Conselho de Turma. Tal julgamento é subjectivo!
É claro que isto é outro sacrilégio. Se não fosse assim como é que se melhoravam as taxas de sucesso ou se dizia que os planos de recuperação tiveram sucesso? Este modo de transitar de ano é, afinal, uma exigência (administrativa) do próprio sistema educativo ou de quem o dirige e precisa de apresentar resultados no final.

Depois temos as perversidades do sistema de avaliação no seu melhor.
Este novo despacho mantém que os Conselhos de Turma têm que garantir tanto a "natureza globalizante" da avaliação sumativa como os critérios de avaliação. Eu explico: um aluno tem quatros e cincos a todas as disciplinas, menos a uma, à qual tem três (que era dois mas que o professor se envergonhou de propor ao Conselho de Turma). Resultado: com base na "natureza globalizante" da avaliação aquele três passa para quatro (ou cinco). Nesse momento em que a nota foi alterada, os critérios de avaliação daquela disciplina foram deitados ao lixo!
Nesse momento também os outros professores que acharam por bem considerar a tal "natureza globalizante" da avaliação alteraram a nota atribuída por um colega. Fizeram aquilo que a Lei lhes manda pois a decisão quanto à avaliação final do aluno não é deles individualmente mas do Conselho de Turma. Ou seja eu passo a ser responsável pelas notas que os meus colegas atribuem e eles são responsáveis pelas minhas.
Imaginem isto num conselho de médicos. Está lá um cardiologista, um de medicina interna, um otorrinolaringologista, um urologista, enfim, os que entenderem. E está lá também um ortopedista.
Começa o cardiologista e diz que o paciente está óptimo do coração. Os outros dizem que ele está bom ou muito bom nas suas especialidades. Mas o paciente tinha partido a perna, pelo que, o ortopedista diz que o paciente necessita de continuar em tratamentos. Conclusão, atendendo à natureza globalizante do bem estar do paciente, o conselho de médicos decide alterar o prognóstico do ortopedista e considerar que o paciente está curado da perna. Mais, os outros médicos passam a ser responsáveis pelas decisões do ortopedista, podendo até alterá-las.
Passados uns meses esse doente resolve consultar outro ortopedista. Este novo médico fica muito admirado quando encontra o paciente no fundo as escadas do seu consultório. O desgraçado não conseguia subir escadas!

Em resumo, podia ter-se aproveitado a oportunidade para fazer mais. O que parece é que isto é mais do mesmo, talvez com menos papéis!

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Custo de cada turma no Ensino Público

Ficamos a conhecer o estudo "Estimativas do custo por turma do ensino básico (2º e 3º ciclos) e secundário".
Acho interessante e útil que ele tenha sido feito até porque existem poucos trabalhos deste tipo. Apresenta limitações, como os próprios autores reconhecem, mas parece bastante mais adequado à realidade do que, por exemplo, o do Tribunal Constitucional.

Eis uma breve síntese das conclusões deste estudo:

Faz mais sentido calcular o custo por turma do que por aluno (face ao objectivo do estudo).
Excluindo custos de investimento, o custo substancial do ensino refere-se ao custo com a docência que representa cerca de 85%.
Qualquer que seja o cenário apresentado neste estudo deve sempre admitir-se que o custo médio por turma está sobrestimado.
A região centro do país é aquela que apresenta custos de ensino mais elevados.
O tamanho médio das turmas está muito aquém do número mínimo de alunos preconizado para a constituição de turmas.
Poderá haver um problema na concepção da rede de escolas.
A estimativa (obtida por regressão linear) para o custo médio por turma no Ensino Básico varia, consoante o modelo considerado no estudo, entre 70245€ e 70648€.
A estimativa (obtida por regressão linear) para o custo médio por turma no Ensino Secundário varia, consoante o modelo considerado no estudo, entre 88995€ e 91454€.
O custo médio por turma (recorrendo à média global dos dados agregados) é de 86333€.

Os relatórios:
Relatório

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Metas, programas e avaliação

Na sequência de um post anterior sobre o tema, registo com agrado a nota (rectificada) constante da página do GAVE sobre as metas curriculares e a avaliação.

Diz a nota a certa altura:
"Atendendo a que as Metas Curriculares representam um documento normativo de utilização ainda não obrigatória, informa-se que as provas finais nacionais e os testes intermédios de Português e de Matemática, a realizar pelos alunos do ensino básico em 2012/2013, manterão como referência os Programas em vigor e supletivamente as Metas Curriculares de Português - Ensino Básico e as Metas Curriculares de Matemática - Ensino Básico.
Considerando ainda que a utilização das Metas Curriculares como referência central no sistema de ensino obedecerá a um calendário a definir, entende-se que, no âmbito da avaliação externa a realizar no corrente ano letivo, estas devem ser utilizadas apenas na medida em que esclarecem e priorizam os diversos objetivos dos programas, sem entrar em conflito com estes".

Destaco:

  • O "obedecerá a um calendário a definir" que é uma novidade. O "Serão posteriormente tornadas vinculativas" que consta do nº 2 do Despacho 10874/2012 de 10 de Agosto, quer dizer afinal que vai existir uma calendarização. Terá isto a ver com prazos para as editoras fazerem novos manuais?
  • O "manterão como referência os Programas em vigor e supletivamente as Metas Curriculares". Confesso que fui ao dicionário ver o significado de "supletivamente"! Tem a ver com suprir, isto é, com completar o que falta. Só não consigo perceber o que é que falta aos programas. Só pode ser aquilo que está nas metas mas não nos programas. Então é mesmo verdade que estas metas pouco ligaram aos programas!
  • O "sem entrar em conflito". Então admite-se a existência de conflito entre estas metas e o programa! Como é que foi possível entrar em conflito? Então já não se conhecia o programa? Incompreensível!
Bem, apesar desta confusão toda, é bom saber que ainda se foi a tempo de corrigir a coisa para o ano lectivo que agora começa. Espero que quem faz os testes intermédios e os exames tenha lido esta nota. Caso contrário vamos ter surpresas do género da do teste intermédio de Matemática (9º Ano) do ano passado.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Metas e programa actual: como servir a dois senhores?

Confesso que só hoje consegui contrariar a falta de vontade de ler os documentos relativos às Metas Curriculares. Foquei a minha atenção no documento da Matemática. Já o deveria ter feito mais cedo, admito, talvez quando os documentos estavam em discussão pública, mas também é verdade que acho que tais discussões públicas são meras formalidades que os políticos têm de cumprir para poderem depois decidir conforme querem e terem meios para "justificar" tais decisões.
Ora eu sou daqueles que defendem a transparência, a objectividade e o pragmatismo na avaliação dos alunos. Assim sendo, concordo com o princípio de que tem que estar claro aquilo que se quer que os alunos aprendam e aquilo que se lhes vai perguntar nas provas (sejam elas os testes em cada escola ou os exames nacionais). Por isso nunca dei muita importância à terminologia. Objectivos, competências, metas, a designação não me preocupa e aceito que me digam até que são coisas diferentes. O que me interessa, realmente, é que me definam com clareza, quais os conhecimentos, saberes ou procedimentos que os alunos devem saber e segundo os quais serão avaliados. Se acrescentarem a isso informação sobre níveis de desempenho, melhor ainda!
Dito isto, tenho que saudar a existência de um documento deste tipo e estar em concordância com o parecer SPM quando afirma que se "estabeleçam objetivos claros, simples de descrever e de avaliar", que se opte "por uma organização anual e não apenas por ciclo de estudos" e que "os descritores de metas apresentados (...) são claros" e "passíveis de uma avaliação objetiva".
Tal concordância não me inibe, no entanto e paradoxalmente, de estar de acordo também com algumas das críticas que tenho lido ao documento. A principal, a meu ver, é aquela que a APM refere no seu parecer e que serve de inspiração ao título deste post: "as Metas Curriculares (...), agora dadas a conhecer, propõem um novo programa" para a disciplina de Matemática do Ensino Básico.
Ao começar a ler as metas propostas deparei com a seguinte realidade: um grande número delas não está coerente com o programa em vigor. A coerência que refiro aqui tem a ver, fundamentalmente, com o desfasamento em relação ao ano de escolaridade em que determinado conteúdo está previsto ser leccionado ou com o nível de aprofundamento das matérias que o programa actual preconiza.
Para ser mais claro, dou dois exemplos:
1) O objectivo geral "Multiplicar e dividir números racionais relativos" e respectivos descritores aparecem no domínio "Números e Operações NO7", isto é, no 7º Ano. No entanto, o programa de Matemática deste ano de escolaridade limita as operações aos números inteiros, deixando para o 8º Ano a extensão dessas operações aos números racionais.
2) "Reconhecer que se existir uma unidade de comprimento tal que a hipotenusa e os catetos de um triângulo retângulo isósceles têm medidas naturais respetivamente iguais a  a e b então a^2=2b^2, decompondo o triângulo em dois triângulos a ele semelhantes pela altura relativa à hipotenusa, e utilizar o Teorema fundamental da aritmética para mostrar que não existem números naturais a e b nessas condições, mostrando que o expoente de 2 na decomposição em números primos do número natural a^2 teria de ser simultaneamente par e ímpar", descritor para o objectivo geral "Medir comprimentos de segmentos de reta com diferentes unidades", no âmbito do domínio "Geometria e Medida GM7" para o 7º Ano. No mínimo, rebuscado!
Estas discrepâncias são um problema real que vai ser colocado a todos os professores de Matemática do Ensino Básico já este ano lectivo. Que fazer? Seguir o programa e ignorar as metas? Seguir as metas e ignorar o programa? Tentar conjugar as duas coisas? E tempo para o fazer?
O documento das Metas Curriculares aponta no sentido de abandonar o programa: "O documento resultante deste processo e agora apresentado constituirá um referencial a seguir, num primeiro ano – 2012-2013 –, a título indicativo, após o que assumirá um caráter obrigatório, articulando-se com as avaliações a realizar. O primeiro ano, em que é fortemente recomendado o seguimento das metas, sem que haja, ainda, uma obrigatoriedade do seu cumprimento, permitirá não apenas uma familiarização, por parte dos professores, como também uma aferição e uma posterior concretização decorrente da experiência". Mas tal parece-me complicado. Como posso satisfazer uma meta, por exemplo, de 8º se os conteúdos que a substanciam não foram leccionados no 7º ou me parece que se enquadram na matéria que o programa prevê para o 9º? E que faço às minhas turmas de 8º Ano quanto àquelas metas que agora aparecem no 7º mas só no 8º é que está previsto no programa leccionar os conteúdos que as fundamentam?
Esta questão do desfasamento, repito, não é um problema menor. Revela, claramente, que  os autores das metas não trabalharam com base na estrutura sequencial das matérias do programa em vigor, nem consideraram a sua abrangência em termos do grau de aprofundamento das matérias. Não discuto aqui se o programa é bom ou mau. O facto é que foi homologada em Dezembro de 2007 e generalizou-se a todo o Ensino Básico no ano lectivo de 2010/11. Ou seja tem dois anos de aplicação. Estamos perante uma reformulação programática com dois anos de existência e que tem uma perspectiva de durabilidade de mais um ano! Isto parece-me inconcebível a todos os níveis. Ao nível dos alunos, porque não será de todo pedagógico pensar que um aluno poderá ter frequentado três estruturas programáticas em nove anos de Ensino Básico: a que acabou em 2009/2010, a que agora está em vigor e aquela que deve surgir na sequência destas metas. Ao nível dos professores, porque obriga a constantes remodelações de planificações, de planos de aula, de adequações de graus de aprofundamento e de dificuldade na avaliação. Questiono-me se vale a pena planificar! Ao nível dos Encarregados de Educação, que estão prestes a ver quebrada a promessa de manuais com durabilidade de seis anos. De certeza que os manuais escolares que este ano comprei para o meu filho mais velho não servirão para o meu filho do meio que apenas tem uma diferença do primeiro de três anos. Salva-se, mais uma vez, o negócio das editoras!
A minha perspectiva de que novo programa está para chegar rapidamente consubstancia-se também na preocupação dos autores do documento Metas Curriculares em elaborarem metas que pormenorizam bastante determinadas propriedades/conceitos, em especificarem metas para níveis de desempenho superiores e até em levarem o formalismo de escrita ao exagero. Isto não é nada habitual nas metodologias associadas aos programas em vigor e evidencia uma clara mudança de paradigma educacional. Muitas das metas "cheiram" a Matemática na sua essência mais pura, sem preocupações com os públicos alvos a que serão aplicadas. Aliás, basta ler os pareceres da APM e da SPM para se perceber que por detrás disto tudo está uma "guerra" de escolas ou autores.
O que não é justo é que esta "guerra" e o querer fazer diferente tenham como consequência a perturbação do processo de ensino/aprendizagem das escolas. Sejamos claros: as metas eram necessárias e são bem-vindas; o que não se admite é que surjam em dissonância com os programas em vigor; o que me continua a incomodar é a leveza com que se deita fora o trabalho dos outros e se refaz tudo de novo!

sábado, 9 de junho de 2012

Avaliação no Ensino Básico e a revogação das competências

Não sou jurista mas passo muito do meu tempo a ler legislação na área da educação. E por mais que leia ainda não consegui perceber isto:

O Despacho n.º 17169/2011 de 23 de Dezembro acaba com as competências essenciais no Ensino Básico.
O Despacho Normativo 14/2011 de 18 de Novembro, que é relativo à avaliação no Ensino Básico, diz na alínea b) do ponto 54, que nos anos não terminais de ciclo (7º e 8º anos, por exemplo) a decisão de progressão do aluno ao ano de escolaridade seguinte deverá ser tomada sempre que "as competências demonstradas pelo aluno permitem o desenvolvimento das competências essenciais definidas para o final do respectivo ciclo".

Como é que se tomam decisões com base em coisas que já estão revogadas?
Alguém me explica isto?

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Organização Curricular do Ensino Básico para o ano lectivo 2011/2012

Fim da Área de Projecto nos 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico.
Fim do Estudo Acompanhado no 3º Ciclo do Ensino Básico.
Atribuição desses tempos à Matemática e à Língua Portuguesa.

Mudanças que se saúdam!

Veja AQUI a proposta.